"No próprio dia da batalha, as verdades podem ser pinçadas em toda a sua nudez, perguntando apenas;
porém, na manhã seguinte, elas já terão começado a trajar seus uniformes."

(Sir Ian Hamilton)



terça-feira, 21 de novembro de 2017

LIVRO - O CERCO DE LENINGRADO

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Por 900 dias os habitantes da cidade de Leningrado - atual São Petersburgo - viveram cercados por tropas nazistas. Um milhão de russos morreram na ocasião, dos quais 800 mil em consequência da fome. Contudo, esse terrível episódio da Segunda Guerra Mundial é frequentemente deixado em segundo plano em nome de outros embates. Com este livro, além do ponto de vista humano, a batalha de Leningrado é estudada em termos estratégicos, políticos e até simbólicos. 


Em pleno século XX desenrolou-se um cerco digno da era medieval. A fome, a sede, o fogo também foram inimigos temíveis. Pesquisando nos diários íntimos, nas cartas, nos arquivos, o historiador Pierre Vallaud revive toda a dimensão trágica dessa sangrenta aventura humana. Ele destaca o heroísmo dos cidadãos, a ignomínia de alguns, o esgotamento dos soldados nos dois lados. Leningrado não será a mesma para os leitores deste livro.


Sobre o autor

Pierre Vallaud é historiador, especialista em história contemporânea e em guerras do século XX. Antigo diretor do Centro de Estudos Estratégicos (CERGES) da Universidade Saint-Joseph, é autor de diversas obras sobre a Primeira e a Segunda Guerra Mundial, a Guerra da Argélia e a Guerra Fria.


Ficha técnica

Editora: Contexto
ISBN 978-85-7244-719-5
Formato 16 x 23
Peso 0.400 kg
Acabamento Brochura
Páginas 256



segunda-feira, 20 de novembro de 2017

HISTÓRIA MILITAR NA FRANÇA - MUSÉE DE L'ARMÉE DES INVALIDES

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A visita ao Hôtel des Invalides e ao Musée de L´Armée é o sonho de todo historiador militar. A riqueza cultural e o acervo muito bem preservado e organizado permitem ao visitante e, acima de tudo, ao pesquisador, conhecer com profundidade a participação da França nos conflitos ao longo da história, desde a Idade Média até os dias atuais.  Tive a oportunidade de conhecer o museu nessa semana e, como me comprometi a difundir a história militar na França enquanto estou aqui em Paris por uma temporada, faço agora uma apresentação geral de minha primeira visita, mas, posteriormente, devido à riqueza do acervo, farei novas intervenções mais específicas e pontuais.

O Musée de l´Armée está instalado no imenso complexo formado pelo Hôtel des Invalides, criado em 1670 por Luís XIV, destinado a abrigar veteranos de guerra. A imponente obra, em estilo clássico, encomendada ao arquiteto Libéral Bruant, reúne um enorme acervo de armas, como pontas de flechas da Idade do Bronze, espadas vikings do século IX, armaduras usadas pelos guerreiros medievais, e armamentos utilizados nos grandes conflitos do século XX.


O Hôtel des Invalides

O Hôtel des Invalides, classificado como monumento histórico nacional, que começou a ser ocupado a partir de 1674, abrigava no final do século XVII cerca de 4.000 pensionistas. Muitos eram realmente inválidos, internados no hospital de l’Hotel; outros, em melhores condições físicas se ocupavam da Bastille, a famosa prisão tomada e destruída durante a Revolução Francesa em 14 de julho de 1789. Os que tinham alguma condição de produzir eram empregados nos mais diferentes ateliers de trabalho, que funcionavam no Hôtel des Invalides.

A transformação do complexo em uma unidade museológica teve início ainda no século XVIII. A partir de 1777, a Galeria Real dos Planos-relevo (Galerie royale des Plans-relief) trocou o Palais du Louvre pelo Hôtel des Invalides, onde se encontra atualmente. A esta galeria juntou-se, em 1871, o Museu da Artilharia (Musée de l'artillerie), cujas peças ornamentam os pátios e passeios do palácio.

O editor do Blog junto a peças de artilharia no interior do museu

Para conservar as tradições do Exército Francês, seus troféus de guerra e objetos da vida cotidiana dos soldados, foi criado, em 1896, o Museu histórico do Exército (Musée historique de l'Armée). Este viria a ser fundido com o da artilharia em 1905, formando o atual Museu do Exército (Musée de l'armée).

Após o final da 2ª Guerra Mundial, durante a qual os Inválidos operaram uma rede clandestina de resistência a partir de 1942, o museu aumentou de tamanho, sendo incorporadas a Ordem da Libertação (Ordre de la Libération) e o museu de história contemporânea (musée d’histoire contemporaine).

Uma das mais importantes atrações presentes no Hôtel des Invalides é o túmulo de Napoleão Bonaparte, que tratarei em postagem específica posteriormente. Seus restos mortais ocupam um imponente túmulo sob a cúpula da igreja do Domo.


As coleções

As coleções do Musée de l’Armée são distribuídas pelos diferentes períodos da história militar francesa:

A Idade Média
A coleção referente ao período medieval reúne vários tipos de espadas, escudos, armaduras. Já no final da Idade Média, no século XV, as táticas militares sofreram grandes inovações com o aperfeiçoamento das armas de fogo, como canhões, e arcabuzes, inventados por volta de 1440. 

Armaduras medievais em exposição

As pesadas armaduras caíram aos poucos em desuso. Surgiram os capacetes militares. Entre as peças desse período pode-se apreciar a Armure aux lions, armadura leve, destinada às paradas militares, inspirada nas utilizadas pelos guerreiros da Grécia clássica, e que teria pertencido a Francisco (1494-1547).

O absolutismo
Da época do Absolutismo, existem, dentre outras peças, um uniforme de gala do começo do século XVIII e um fuzil de infantaria de 1717. O destaque fica por conta do canhão de bronze dourado, todo trabalhado em relevo. Obra do cinzelador Laurent Ballard, o canhão foi um presente do parlamento da região de Franche Comté a Luís XIV, quando o território, antes sob domínio espanhol, foi incorporado à França. 

Túnicas de regimentos franceses do século XVIII

Outra peça interessante é uma armadura infantil que pertenceu a Luís XIII que, ainda adolescente, montou uma rica coleção de armas. Boa parte dessa coleção ainda existe e está exposta na seção de armaduras (Département des Armures et Armes Anciennes) e armas antigas exibidas no Musée de L’Armée.

Período bonapartista
Da época de Napoleão há toda uma coleção de telas a óleo e esculturas, além de garruchas, sabres, fuzis, bandeiras, equipamentos e uniformes usados pelos soldados do Grande Armée. Uma das telas mais famosas, pintada em 1811 por Jean-Auguste-Dominique Ingres, retrata Napoleão, imperador da França entre maio de 1804 e abril de 1814. Bonaparte é representado sentado no trono imperial, todo imponente, sob um manto púrpura, forrado de pele de arminho, com uma coroa de louros cobrindo sua cabeça, tendo na mão um cetro, símbolo do poder imperial.

O editor do Blog diante da tela de Jean-Auguste-Dominique Ingres, retrata Napoleão, imperador da França entre maio de 1804 e abril de 1814.


Também é interessante conhecer o cofre com pistolas que pertenceram a Napoleão, bem como sua coleção de suntuosas espadas, verdadeiras obras de arte, decoradas com metais preciosos, obra de Nicolas Noël-Boutet, diretor da manufatura instalada em de Versailles. Napoleão, as levou consigo para Santa Helena após sua queda e as legou por testamento ao seu filho.

A Primeira Guerra Mundial
A sala dedicada à Primeira Guerra tem a intenção de fazer o visitante compreender o conflito, os interesses nele envolvidos e as grandes transformações na estratégia militar provocada por novos tipos de armamentos, como tanques, metralhadoras, artilharia pesada de longo alcance, aviões e armas químicas. Entre as peças mais interessantes está uma maquete de uma trincheira utilizada entre o final e 1914 e março de 1918, na chamada "guerra de posição”. As trincheiras, interligadas, estendiam-se por todo o front, com os adversários separados, às vezes, por algumas dezenas de metros uns dos outros, dentro de seus buracos escavados na terra, sofrendo com a lama, o frio, as doenças e a chuva.

Diorama mostrando a guerra de trincheiras, durante a 1ª Guerra Mundial


Com o carro de combate Renault FT-17, o primeiro blindado utilizado na América Latina e no Brasil.


os objetos expostos encontra-se uma corneta que tocou o cessar fogo quando da capitulação alemã em novembro de 1918. Também merece atenção, o quadro “A Batalha de Verdun”, de Vallotton, obra abstrata, inovadora, que retrata a crueza da guerra. Outra curiosidade é o “táxi do Marne”, carro de praça, que, como muitos outros em Paris, foi convocado para transportar, às pressas, soldados para o front, no rio Marne.

A Segunda Guerra Mundial
As mais importantes coleções referem-se à Segunda Guerra, o maior conflito do século XX, com armas, uniformes, maquetes, mapas, filmes, audiovisuais, documentos e amplo material fotográfico sobre todo o conflito e as diversas frentes de batalha no norte da África, no Oriente e na Europa. A ênfase, porém, é dada ao papel da Resistência e das forças francesas livres comandadas por Charles De Gaulle. Quem compreende francês poderá ouvir o histórico discurso gravado pelo general e transmitido pela BBC de Londres em 22 de junho de 1940, exortando os franceses a se unirem na luta contra o nazismo. Ficou na história sua famosa frase: “La France a perdu une bataille ! Mais la France n’a pas perdu la guerre!“.

O editor do Blog diante da torre do carro de combate alemão Pzkpfw II

Bandeira da Força de Franceses Livres, com a Cruz de Lorena, liderados por De Gaulle.

Entre as peças exibidas, destacam-se a torre de metralhadora de uma fortaleza voadora (Boeing  B-17) e um primeiro modelo de bombardeio B-16, que voou pela primeira vez em julho de 1935. Esse tipo de avião tinha várias torres de defesa no alto, na cauda, e embaixo da fuselagem para se defender do ataque dos caças inimigos, mais rápidos e ágeis. Outra curiosidade é a torre do carro de combate alemão Panzerkampfwagen II, um veículo blindado de 10 toneladas desenvolvido a partir de 1934, equipado com canhões de 20mm. Também é interessante o espaço dedicado a De Gaulle e à Resistência Francesa. Capitão na Primeira Guerra, De Gaulle acabou ferido e aprisionado pelos alemães em 1916. Na Segunda Guerra, quando a a França foi obrigada a se render às forças nazistas De Gaulle estabeleceu-se em Londres para organizar a resistência.

Carlos Daróz, editor do Blog, no Musée de L' Armée


Como assinalei antes, a visita ao Musée de L’Armée é um sonho para todo historiador militar.  Vale muito a pena.

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sábado, 18 de novembro de 2017

EDITOR DO BLOG MINISTRA CONFERÊNCIAS SOBRE HISTÓRIA MILITAR EM CABO VERDE

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Na primeira semana de novembro, o editor do Blog Carlos Daróz-História Militar participou de uma intensa programação em Cabo Verde, na qual teve a oportunidade de realizar uma série de conferências sobre História Militar.

A primeira ocorreu no Mindelo, na Ilha de São Vicente, na conferência internacional sobre o patrimônio histórico e cultural subaquático, promovido pelo Instituto Universitário de Arte, Tecnologia e Cultura, na qual discorremos sobre a participação do Brasil na Grande Guerra.

Ainda no Mindelo, no Centro de Instrução Militar do Morro Branco, realizamos a conferência Novas dimensões da História Militar no Brasil, para os integrantes da 1ª Região Militar, onde analisamos o estudo desse importante campo do saber em nosso país, que passa por uma célere renovação.

No quartel da 1ª Região Militar, no Mindelo

Com o comandante da 1ª Região Militar, coronel José Neves

Já na cidade da Praia, na Ilha de Santiago, ministramos a mesma conferência para o Estado-Maior das Forças Armadas de Cabo Verde, despertando o interesse e a atenção dos integrantes da Guarda Nacional e da Guarda Costeira do país.

Plateia no Estado-Maior das Forças Armadas de Cabo Verde atenta à conferência

Com o coronel José das Graças, chefe de gabinete do Estado-Maior das Forças Armadas

Encerrando nossa participação, ministramos uma aula para os alunos do curso de relações internacionais do Instituto Superior de Ciências Jurídicas e Sociais com o tema História Militar e relações internacionais: a experiência brasileira, na qual pudemos analisar o emprego do poder militar brasileiro em benefício da paz mundial, sob os auspícios da ONU.

Aula no Instituto Superior de Ciências Jurídicas e Sociais

Agradecemos o protagonismo da embaixada brasileira em Cabo Verde, nas pessoas do embaixador José Carlos de Araújo Leitão e do conselheiro Ricardo Leal, que possibilitaram e viabilizaram a programação e o estreitamento das relações bilaterias entre Brasil e Cabo Verde.
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quarta-feira, 15 de novembro de 2017

HISTÓRIA MILITAR NA FRANÇA - A DEFESA DE PARIS

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“A história só nasce para uma época quando ela está inteiramente morta. Assim, o domínio da história é o passado, o presente convém à política e o futuro pertence a Deus.”  
(J. Thiénot)


O futuro a Deus pertence!  A máxima de Thiénot deixa clara a imprevisibilidade do que pode acontecer com nossos projetos de vida e a incerteza da nossa caminhada.  Assim, mesmo nunca imaginando esta possibilidade, a vida trouxe o editor do Blog Carlos Daróz-História Militar a residir na França, mais precisamente em Paris, por uma temporada.

Já nos dois primeiros dias aqui, é muito fácil constatar que a capital francesa transpira história, patrimônio, cultura, tradição e, acima de tudo, encerra inúmeras referências relacionadas com a História Militar.  Nesse sentido, a partir de hoje procurarei postar aqui no Blog todas as visitas, referências, monumentos, sítios e indicações relacionadas com o tema que eu tiver condições no período em que estiver morando aqui, embora, de antemão, tenha a consciência de que será impossível esgotar o assunto, devido à sua riqueza.

Hoje começo com o belíssimo monumento A Defesa de Paris, que faz referência à obstinada defesa da capital francesa diante do cerco realizado pelos prussianos durante a Guerra Franco-Prussiana.

A Defesa de Paris é uma escultura de Louis-Ernest Barrias inaugurada em 12 de outubro de 1883 na encruzilhada de Courbevoie (hoje distrito de La Défense), no território da cidade de Puteaux, nos Hauts-de-Seine.  Homenageia a memória das vítimas militares e civis que caíram durante o cerco de Paris na Guerra Franco-Prussiana de 1870.

O escultor Louis-Ernest Barrias venceu o disputado concurso para elaboração da escultura

Contexto histórico

Em 19 de setembro de 1871, os alemães começaram a sitiar Paris. O novo governo dispôs-se a negociar com Bismarck, mas suspendeu as conversações quando soube que os alemães exigiam a Alsácia e a Lorena. O principal líder do novo governo francês, Léon Gambetta, fugiu de Paris num balão, estabelecendo um governo provisório na cidade de Tours para reorganizar o exército no interior. A partir daí seriam organizadas 36 divisões, todas destinadas ao fracasso.

Mapa mostrando o cerco de Paris pelos prussianos

Esperanças de um contra-ataque francês dispersaram-se quando o marechal François Achille Bazaine, com um exército de 173.000 homens, apresentou sua rendição em Metz, no dia 27 de outubro.

A capitulação oficial de Paris ocorreu em 28 de janeiro de 1871. Louis Adolphe Thiers, velho político francês, foi eleito pela assembleia como chefe do executivo e solicitou um armistício aos prussianos, o qual foi concedido por Bismarck. O armistício incluía a eleição de uma assembleia nacional francesa que teria a autoridade de firmar uma paz definitiva. A Assembleia Nacional Francesa reuniu-se em Bordéus, em 13 de fevereiro, nomeando Louis Adolphe Thiers o primeiro presidente da Terceira República Francesa. O acordo, negociado por Thiers, foi assinado em 26 de fevereiro e ratificado em 1º de março. A população de Paris, entretanto, recusou-se a depor as armas e, em março de 1871, revoltou-se, estabelecendo um breve governo revolucionário, a Comuna de Paris.

Em 1879, os republicanos se tornaram maioria no parlamento e se estabeleceram definitivamente no poder. O novo regime procurou distinguir-se da República de Mac Mahon, insistindo em recordar a política de defesa nacional que os republicanos haviam conduzido de setembro de 1870 a janeiro de 1871, durante a Guerra Franco-Prussiana.

Nesse sentido, em homenagem à obstinada defesa de Paris, os republicanos também manifestaram seu desejo de reintegrar a capital na comunidade nacional e acabar com as divisões nascidas da Comuna de Paris.

A construção de monumentos também afetou a ordem simbólica: a Terceira República foi percorrida do nível nacional a nível local a partir da década de 1880, por meio de uma "estatuomania" sem precedentes, que variava do Bourgeois de Calais de Rodin, ao Triunfo da República de Jules Dalou, valorizando os "pequenos patriotas", bem como a grande Pátria francesa.

Um concurso com grandes artistas

Para comemorar a defesa heroica de Paris contra os prussianos, a Prefeitura do Sena organizou, em 1879, um concurso para a construção de um monumento na rotatória de Courbevoie, localizada no final da Avenida de Neuilly, e no alinhamento do Arco do Triunfo, onde os Guardas Nacionais se reuniram antes da última batalha de Buzenval, ocorrida em 19 de janeiro de 1871 na fase final da conflito.

Cem artistas competiram, incluindo Gustave Doré, Auguste Bartholdi, Carrier-Belleuse, Alfred Boucher, Alexandre Falguière e Auguste Rodin, mas a escolha dos jurados foi pelo projeto de Louis-Ernest Barrias. O monumento foi erguido sobre o que era a rotatória de Courbevoie e ali permaneceu até 1965, instalado em uma base que, até então, havia apoiado uma estátua de Napoleão I.

A localização tornou-se o distrito comercial e financeiro de La Défense, cujo nome deriva da obra de Barrias.  Devido aos trabalhos de construção do moderníssimo distrito, a escultura foi desmontada e armazenada por vários anos, até ser reinstalada, em 21 de setembro de 1983, cem anos após a sua inauguração e praticamente no mesmo local que antes.
  
A prestigiada inauguração

Na tarde de 12 de agosto de 1883, uma grande multidão, estimada em mais de cem mil pessoas, participou da inauguração de escultura de Barrias em cerimônia presidida pelo Ministro do Interior da França, Pierre Waldeck-Rousseau.

A escultura ainda instalada sobre a base original em 1910


A cerimônia começa às 16 com uma salva de vinte e um disparos disparos de canhão posicionados no Monte Valerian, enquanto a banda de música da Guarda Republicana executava a Marseillaise. Após os discursos habituais, homenageando o patriotismo dos combatentes e a coragem heroica dos parisienses sitiados, a inauguração terminou com um grande desfile militar.

Após a partida das autoridades, o público pode finalmente aproximar-se do monumento, colocado no centro da praça instalado em uma base de granito, cercado por um portão de ferro, e iluminado por lanternas a gás nos quatro vértices.

Na inauguração, os partidários da Comuna de Paris perturbaram a cerimônia patriótica, uma bandeira vermelha foi desdobrada, e pôde-se ouvir as palavras de ordem: "vida longa à anistia; vida longa à República Social".

A escultura e suas representações

A escultura produzida em bronze representa as três figuras que simbolizam a defesa de Paris:
- Uma mulher, vestida com o uniforme da Guarda Nacional, apoiada em um canhão e segurando uma bandeira, representa a figura alegórica da cidade de Paris.
- Os defensores assumem as características de um jovem soldado mobilizado, que coloca um último cartucho no seu fuzil Chassepot. As duas figuras olham para Buzenval, o lugar dos últimos combates em janeiro de 1871.
- Do outro lado do monumento, uma menina prostrada que, com sua expressão triste e aparência miserável, personifica os sofrimentos da população civil.

A mulher vestida com o uniforme da Guarda Nacional e empunhando a bandeira representa a própria Paris. O soldado colocando o último cartucho em seu fuzil faz referência ao exército francês.


A menina prostrada , com sua expressão triste e aparência miserável, personifica os sofrimentos da população civil parisiense


Placa indicativa do monumento

Barrias inspirou-se no trabalho de Amédée Doublemard, A Defesa da barricada de Clichy, também conhecido como monumento ao marechal Moncey, da Place de Clichy em Paris.

O editor do Blog Carlos Daróz-História Militar diante do monumento A defesa de Paris

O monumento emprestou seu nome ao distrito La Défence, que se tornou o principal centro de negócios e finanças da Europa.

O distrito de La Défence, maior centro financeiro da Europa, recebeu seu nome devido à referência do monumento de Barrias

Referências
- BEST, Janice. Les monuments de Paris sous la Troisième République: Contestation et commémoration du passé. Paris: L'Harmattan, coll. Histoire de Paris, 2010.

- LAVALLE, Denis. Le monument de la Défense et la statuaire du XIX siècle. Paris: Archives départementales des Hauts-de-Seine, 1983.

domingo, 12 de novembro de 2017

OS RUSSOS QUE VIRARAM HERÓIS NO PARAGUAI



Fugidos de Revolução de 1917, oficiais russos encontraram em Assunção um porto seguro. Anos depois, porém, se uniram às fileiras paraguaias para defender o país na batalha contra Bolívia e hoje são homenageados em diversos pontos do país.


Por Maria Aleksandrova

No Panteão Nacional dos Heróis em Assunção há uma placa com a cruz ortodoxa e a seguinte inscrição: “Memória eterna”. Nela estão os nomes de seis oficiais russos que emigraram ao Paraguai para escapar da perseguição dos bolcheviques, após a Revolução de 1917, e lutaram na Guerra do Chaco: Ivan Beliáev, Víktor Kornilovitch Serguêi Salázkin, Nikolai Goldschmidt, Vassíli Maliutin e Boris Kasiánov.

O general Ivan Beliáev foi o primeiro a chegar ao país latino-americano, em 1924, e logo acabou sendo contratado como professor de fortificação e de francês na Escola Militar de Assunção. No entanto, preocupado com o destino de outros oficiais “brancos” que percorriam o mundo em busca de um lugar seguro, Beliáev fechou um acordo com o governo do Paraguai para a criação de uma colônia russa.

Assim, o general foi seguido por seus ex-companheiros de armas, que haviam superado a Primeira Guerra Mundial e a Guerra Civil na Rússia. Alguns deles abriram pequenos negócios no Paraguai; outros trabalhavam como engenheiros, topógrafos ou ministravam aulas na academia militar e na universidade locais.

“Paraguai, nossa segunda pátria”

Com a eclosão da Guerra do Chaco (de 1932 a 1935), os oficiais russos se reuniram.
Doze anos se passaram desde que perdemos nossa amada pátria e há doze anos que temos que agir. O Paraguai nos acolheu com calor e afeto, mas hoje chegaram dias difíceis. O que estamos esperando? O Paraguai é a nossa segunda casa, é preciso defendê-la, e todos nós somos oficiais”, disse então o capitão Nikolai Korsakov.

General Ivan Beliáev


No dia seguinte, todos os russos se alistaram como voluntários no Exército paraguaio; os oficiais militares mantiveram suas patentes anteriores, porém acrescentaram duas letras: ‘H.C.’, que significa “Honoris Causa”.

O número de oficiais russos que lutaram no lado do Paraguai variam segundo fontes diversas, mas sabe-se que no comando das tropas paraguaias havia 20 capitães russos, 13 majores, 4 tenentes-coronéis, 8 coronéis e 2 generais (um deles, Beliáev).

Alguns oficiais, entre eles Salázkin, Kasiánov, Goldschmidt, Maliutin e Kornilovitch, perderam a vida durante o conflito.


“Que lindo dia para morrer”

O primeiro oficial russo que morreu na Guerra do Chaco foi o capitão Vassíli Oréfiev-Serebriakov, um cossaco da região do rio Don. Ele comandou um batalhão durante Batalha de Boquerón, onde se deram as principais disputas do conflito.

Reza a lenda que o capitão russo comandava os soldados paraguaios durante os ataques sob os gritos de “Adiante, a Boquerón!” e “Viva o Paraguai!”. No entanto, Oréfiev-Serebriakov foi atingido no ataque quando faltavam apenas alguns metros até a primeira linha de defesa. Os soldados levaram o comandante ferido do campo de batalha somente para escutar suas últimas palavra: “Eu cumpri a ordem. Que lindo dia para morrer!”.

Após sua morte, o capitão foi premiado com a patente de major (HC) do Exército Nacional paraguaio, e uma cidade do país foi nomeada em sua homenagem: Fortín Serebriakoff (transliteração local do nome Serebriakov).


Kasiánov e a luta após a morte

Os soldados paraguaios tinha tanto apreço pelo capitão Boris Kasiánov que o russo recebeu o carinhoso apelido de “neném”. Um de seus subordinados chegou até a escrever que “estavam dispostos a seguir o comandante russo até ‘a boca do diabo’”.

Certa vez seu grupo teve de enfrentar forças superiores do inimigo. Os soldados paraguaios recordavam como o capitão havia coberto com seu corpo a enorme metralhadora do inimigo. O relatório oficial dizia que “Kasiánov morreu como um herói, silenciando a metralhadora inimiga à custa de sua própria vida”.

Soldados paraguaios durante a Guerra do Chaco


Mas a história do capitão teve continuação. Desde que era um estudante em Moscou, Kasiánov tinha um grande amigo chamado Nikolai Iemeliánov. Quando a Primeira Guerra Mundial começou, os dois se alistaram como voluntários no Exército, fizeram um curso intensivo na escola militar de cavalaria e marcharam à frente de batalha.

Com a Revolução de 1917 e a Guerra Civil, os amigos perderam contato. Kasiánov foi para o Paraguai convidado pelo general Beliáev, enquanto Nikolai conseguiu se estabelecer em Paris; ali encontrou trabalho em um banco e depois abriu seu próprio escritório de advocacia. Mas, quando soube por um jornal de imigrantes que o amigo havia morrido no distante Paraguai, fechou seu negócio na capital francesa e partiu para Assunção a fim de substituí-lo.

O ministro das Relações Exteriores de Paraguai se referiu a Iemeliánov como “o cavaleiro romântico da Rússia, movido pela grande força de espírito, o desejo de justiça e sentido de dever para com o seu companheiro morto”, e o capitão russo assumiu um esquadrão com 50 caças.

Após ser ferido, Iemeliánov teve que se retirar do campo de batalha. No entanto, seu amigo continua homenageado nas ruas de Assunção, onde há uma rua que leva o seu nome: Boris Cassiánoff (transliteração local do sobrenome russo Kasiánov).

No Panteão Nacional dos Heróis em Assunção há uma placa com a cruz ortodoxa e a seguinte inscrição: “Memória eterna”. Nela estão os nomes de seis oficiais russos


Outras via russas de Assunção

Entre outros oficiais russos cujos nomes foram parar nas ruas de Assunção estão o tenente Vassíli Maliutin, que deu sua vida pela causa do Paraguai, os capitães Serguêi Salázkin, que morreu heroicamente em defesa do Chaco, em 1933, Vsevolod Kanónnikov e Nikolai Blinov, e o coronel Gueórgui Butlerov, entre outros.

Fonte: Gazeta Russa



terça-feira, 31 de outubro de 2017

LIVRO - STALINGRADO 1942: O INÍCIO DO FIM DA ALEMANHA NAZISTA

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Era a batalha do tudo ou nada: se os nazistas conquistassem Stalingrado, provavelmente venceriam a Segunda Guerra Mundial. Acuados, os soviéticos pagaram caro pela resistência encarniçada. Milhares de vidas foram ceifadas no trágico embate. De julho de 1942 até fevereiro do ano seguinte, o mundo acompanhou como pôde o encontro dos dois grandes exércitos. 

O autor Alexander Werth, um dos pouquíssimos jornalistas estrangeiros a cobrir a frente oriental, teve um olhar privilegiado. Assim que os alemães capitularam, Werth chega a uma Stalingrado ainda traumatizada e nos relata com vivacidade tudo o que observa. Além de ser testemunha ocular, entrevistou oficiais, especialistas militares e teve acesso a documentos originais. Stalingrado continua sendo o livro mais importante publicado sobre uma das mais sangrentas e decisivas batalhas da Segunda Guerra Mundial.


Sobre o autor

Alexander Werth nasceu em 1901, em São Petersburgo. Foge com a família para a Grã-Bretanha às vésperas da Revolução Russa e se instala em Glasgow, onde cursa os estudos superiores e se forma em Jornalismo. Contratado pelo Manchester Guardian, vai para Paris como correspondente nos anos 1930. Durante a Segunda Guerra Mundial, assume como correspondente da BBC e do Sunday Times e embarca no avião que leva a Moscou os membros da missão militar britânica. Werth permanecerá na URSS até maio de 1948, retornando à Grã-Bretanha apenas por alguns meses, de outubro de 1941 a maio de 1942. Autor de diversos livros, falece em 1969. Seu filho, Nicolas Werth, historiador especializado na União Soviética, fez as notas comentadas e o posfácio da obra.


Ficha técnica

Editora: Contexto
ISBN 978-85-7244-930-4
Formato 16 x 23
Peso 0.300 kg
Acabamento Brochura
Páginas 224




sábado, 28 de outubro de 2017

PERSONAGENS DA HISTÓRIA MILITAR – MARECHAL ŌYAMA IWAO

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* 10/10/1842 - Kagoshima, Japão

+ 10/12/1916 - Tóquio, Japão


O príncipe Ōyama Iwao foi um marechal-de-campo e político japonês, sendo um dos fundadores do Exército imperial japonês.


Ōyama nasceu em família de samurais que pertencia ao clã Shimuzu. Foi um protegido de Okubo Toshimichi, participou da derrubada do Xogunato Tokugawa, e teve um papel importante na Restauração Meiji. Foi comandante-chefe da primeira brigada independente durante a Guerra Boshin. Durante o Cerco de Aizu, foi comandante das posições de artilharia do Exército imperial japonês, no monte Oda. Durante o cerco, foi ferido pela guerrilha de Aizu sob o comando de Sagawa Kanbei.

Em 1870, estudou na Escola Militar Especial de Saint-Cyr na França, e foi o observador militar oficial do Japão durante a Guerra Franco-Prussiana. Estudou três anos (1870-1873) em Genebra, onde aprendeu línguas estrangeiras e ficou fluente em russo. Ōyama ficou conhecido como o primeiro cliente japonês da Louis Vuitton, depois de ter comprado alguns equipamentos durante sua estadia na França. 

Posteriormente voltou à França após ser promovido general para estudos especializados. No seu regresso ao Japão, ajudou no estabelecimento do Exército imperial japonês, que foi usado para reprimir a Rebelião Satsuma, apesar de que Ōyama e seu irmão mais velho fossem primos de Saigō Takamori.

Na guerra sino-japonesa foi designado Comandante chefe do segundo exército japonês, e desembarcou na Península de Liaodong, avançou para Port Arthur em meio a uma tormenta, cruzou Shandong, onde capturou a fortaleza de Weihawei.

Por seus serviços, Ōyama foi incluído no sistema de nobreza japonesa (Kazoku) com o título de marquês, e, três anos depois, foi promovido a marechal. Na guerra russo-japonesa (1904-1905) foi nomeado comandante chefe das forças japonesas na Manchúria. Com a vitória do Japão, o Imperador Meiji o nomeou kōshaku (príncipe).

Ōyama foi ministro da guerra em vários gabinetes e, como chefe de estado, defendeu o poder autocrático da oligarquia (Genrō) indo de contra os direitos democráticos. Entretanto, sob o governo do primeiro ministro Yamagata Aritomo, foi reservado e se retirou dos assuntos políticos. Desde 1914 foi declarado Guardião do selo privado.

O General Ōyama em campanha durante a Guerra Russo-Japonesa


Tinha a habilidade falar e escrever em várias línguas europeias fluentemente, e tinha simpatia com o estilo arquitetônico europeu. Quando foi ministro da guerra, construiu uma casa em Tóquio baseado em um modelo de castelo alemão; entretanto, sua esposa reclamou e insistiu que os quartos das crianças fossem remodelados no estilo japonês, para fazer ênfase a origem japonesa deles. A casa foi destruída durante os bombardeios aéreos na Segunda Guerra Mundial. A esposa de Ōyama, Yamakawa Sutematsu, foi irmã dos antigos vassalos do clã aizu, Yamakawa Horishi e Yamakawa Kenjiro; e era conhecida como uma das primeiras estudantes femininas a serem enviados aos Estados Unidos pela Imperatriz do Japão, no começo da década de 1870. Esteve vários anos nesse país, graduando-se na Vassar College em 1882.

Ōyama foi um homem obeso, cujo peso excedia os 95 kg, e consumia muita carne. Morreu aos 75 anos em dezembro de 1916, e, recentemente, sua morte foi atribuída a complicações de diabetes.